quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

HOMENAGEM À AUGUSTO DOS ANJOS



Por vezes, ninguém assistiu
    ao formidável enterro
    da tua última quimera.
    Nem a solidão, que foi pantera,
    companheira separável,
    te abraçou, te carinhou, te beijou...


Acostuma-te ao escarro,
    no barro que te formou...
    inda trago no peito,
    o aperto suspeito
    do cigarro que se fumou.

Ainda assim ficou a chaga
    que, suspeita, te apaga.
    apedreja esta mão vil
    que te afaga.
    acende o cigarro que se apaga,
    cospe na boca que te beija,
    respira o ar que se desfaz,
             (ainda que pobre).
    e te abriga na terra
    que te cobre.

tioed (21/03/2007)

(Dia internacional da poesia)

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